quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Não vai ser perfeito

Talvez em algum momento, na lógica invertida das coisas em que nada faz sentido, nós resolvamos ver se estamos errados sobre não darmos certo. Seremos um desses casais esquisitinhos, que ninguém entende como funciona. E, depois de um tempo, você vai até balançar a cabeça quando tocar uma música pop -de tanto que eu escuto e insisto que é legal. E eu vou tentar ler alguma coisa daquele escritor excêntrico que você insiste em dizer que é um gênio.

Eu vou continuar saindo pra dançar sozinha. Você vai a shows dessas bandas hipsters demais para mim e l me ensinar a jogar videogame, mas I’m a hopeless case e sempre vou preferir assistir a qualquer série no Netflix.

Vamos jantar no restaurante japonês porque você gosta (e eu sou muito legal) e passar o fim de semana em Atibaia sem fazer nada (só para me agradar). Ficaremos horas conversando sobre assuntos que só fazem sentido pra nós, ou nem isso.

Talvez a gente tenha um cachorro ou dois, mas você vai querer um de uma raça diferente e eu vou querer um sem. E vamos brigar porque você é um tremendo de um arrogante às vezes e eu uma drama queen.

Porque tantas vezes pareceu que a gente combinava, mas é bem verdade que não temos nada a ver. Mas vamos juntos ao cinema na estreia o novo filme do Wes Anderson, porque, poxa, tínhamos de combinar em alguma coisa. E toda vez que formos assistir a The Walking Dead você vai rir, porque tapo o olho com a mão e vejo a cena pelos vãos dos dedos. E teremos um plano de sobrevivência ao apocalipse zumbi.

E não vai ser perfeito, porque a gente vai preferir que seja divertido.

domingo, 11 de maio de 2014

A história mais triste que contei

Não se já contei de onde veio a ideia pro nome do blog. Foi de uma viagem que fiz com meus amigos, quando todos éramos jovens, despreocupados e cheios de esperança. Estávamos em uma feijoada com samba, e depois de uma música romântica, o cantor, um negro alto e muito atraente,  disse exatamente isso: "falar de amor é fácil, difícil é pagar as contas". Nunca mais saiu da minha cabeça. Assim como quando o professor de literatura do 3° ano, disse, com os braços apoiados na lousa: "daí o cara está apaixonado e diz que vai casar, e você pergunta do que ele vai viver, e ele responde: 'de amor'".

Eu não lembro mais o motivo que me levou a escrever esse blog. Talvez um pouco de inveja de casais apaixonados e um pouco de desdém também. Talvez eu o tenha criado para falar mal dos caras que me rejeitaram e para escrever as declarações que nunca chegaram aos ouvidos de quem gostaria. Quer dizer, algumas até chegaram, mas não tiveram os efeitos desejados.

Foi muita pretensão minha querer falar sobre um assunto sobre o qual não tenho nenhum domínio. Nenhum mesmo. Eu não estou habilitada a dar conselhos amorosos de qualquer espécie. E vocês não  deviam levar em consideração nada do que foi escrito aqui. Nem mesmo se é um dos caras para quem escrevi (você tinha dúvidas que era sobre você?), possivelmente fui injusta. E fui dura, mais ainda comigo.

A verdade é que escrever nesse blog tem sido tão difícil quanto pagar as contas -e olha, que está complicado, viu. A verdade é que eu já não tenho mais histórias para contar, que elas ficaram velhas, assim como eu. A verdade é que não há ninguém sobre quem eu queira contar. A verdade é que por mais que tenha visto tantas lindas histórias de amor... Algumas pessoas amam, sem ser amáveis ou amadas.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Saudade é maior que amor?

O batom já havia impresso uma marca na taça, mas ainda segurava nos lábios um discreto e confortável sorriso. Falava desses assuntos vazios, a pauta de festas entre conhecidos, até lhe perguntarem se sabia dele. Suspirou profundamente. "Não", respondeu com um sorriso amarelo substituindo o, até então, vermelho forte. Contraiu os lábios.

Não havia outro assunto capaz de tira-la do centro como aquele. Religião, política, aborto, não a incomodavam. Detestava as lembranças dele. Eram todas boas. Boas demais, davam saudade. E, saudade pode ser pior que dor. Então essa foi uma história de amor,  vocês devem estar pensando. É. Ela não diria isso. 

Ela diria que sente falta dos beijos de tirar o ar, do abraço tão apertado que dava para sentir o pulso, das noites insones juntos, dos dias de expectativa. Do cheiro. Do calor. Da voz. Das cócegas. De todas essas pequenas coisas que aparecem bobagem para o outros.

Mas uma história sem "eu te amos", sem serenatas, sem flores, sem declarações. Um curioso caso que não acaba nem em final feliz nem em coração partido. Mas numa saudade que não está sempre lá,  mas que também não passa. Um caso que acabou em suspenso, no gerúndio, pairando.

domingo, 8 de dezembro de 2013

She's standing right in front of you. Can't you see?

Para chamar sua atenção, ela aprendeu sobre esportes que não a interessavam, ouviu discografias inteiras de bandas que antes nem sequer faziam parte de seu repertório, leu notícias sobre assuntos aleatórios, googlou temas para poder manter a conversa viva. Como uma criança que sempre estende a mão para dar a resposta à pergunta feita pela professora, ela erguia e balançava o braço e pedia: "me note, me note, me note".
Ela não queria ser outra pessoa, apenas uma versão mais compatível com ele. Foi em vão; e esse foi o melhor desfecho para a história. Em vez de sentir-se fracassada, sentiu-se livre da obrigação de ter pensar o tempo todo em como se comportar. Podia simplesmente escutar o que gostava e parar de fingir ter assistido àquele filme clássico (que seria uma obrigação), comportar-se da forma com sua própria natureza mandasse.
Pensa se um relacionamento desses vai pra frente? Quando ela ia poder relaxar? Quando ela ia para de ter medo de ser uma 'fraude'?
Não deixou de gostar dele em um piscar de olhos, simplesmente desistiu de tentar impressionar. Percebeu que faltava segurança para ser surpreendente do jeito dela. Talvez ela não encontre alguém tão fácil assim, talvez ela não mereça por lhe faltar autoconfiança, talvez ela simplesmente deva parar de pensar em um monte de talvez. Uma coisa é fato: ficar com o braço erguido, uma hora, cansa. :/

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Respiração

E com uma inspiração profunda veio um saudade que ocupou logo todo seu corpo como o ar entrando em seus pulmões. Cercada de desconhecidos desinteressantes (não é fácil encontrar o contrário), ela acompanhava baixinho o cantor e o violão em músicas que não faziam sentido naquele lugar, mas eram a trilha perfeita para o momento. Uma lágrima discreta escorreu do canto de seus grandes olhos brilhantes.
Ele tinha grandes fones cobrindo sua orelha e escutava o novo álbum de uma banda de indie rock qualquer sentado no sofá, com as pernas esticadas na mesa de centro (era estranho ele ter uma mesa de centro). Pensava em garotas,  às vezes sorria maliciosamente, puxando os lábios para o canto esquerdo do rosto, ao lembrar de uma história. Lembrou dela, uma moça bacana -não perguntem o que quer dizer porque ninguém aqui entende homem-, uma conversa fácil e meio sem noção. Depois, voltava a prestar atenção em seja lá o que tocava.
"Saudade de nossas noites falando sobre qualquer coisa."
Mensagem enviada. Mensagem entregue.
tic.
tac.
tic.
tac.
tic.
tac.
Mensagem lida.
tic.
tac.
":)
Também. A gente se encontra."
Mensagem enviada, entregue, lida; sem tic nem tac, mas com o palpitar acelerado do coração.  Ela não respondeu de volta. Expirou, expulsando todo o ar como se o tirasse de dentro de seu corpo.